Resenha #02: O Doador de Memórias


 Vale a pena abrir mão das emoções para permanecer no caminho certo?






"Quando as pessoas têm liberdade de escolha, elas escolhem errado."
Editora: Arqueiro
Páginas: 185
Ano: 2014.

Sinopse: Os habitantes de uma pequena comunidade, satisfeitos com a vida ordenada, pacata e estável que levam, conhecem apenas o presente - o passado e todas as lembranças do antigo mundo lhes foram apagados da mente. Um único indivíduo é encarregado de ser o guardião dessas memórias, com o objetivo de proteger o povo do sofrimento e, ao mesmo tempo, ter a sabedoria necessária para orientar os dirigentes da cidade em momentos difíceis.


Utopias! Lugares perfeitos onde não existem doenças, guerras, dor e sofrimento. Quem não gostaria de viver em um lugar assim? Com mais de 11 milhões de livros vendidos, O Doador de Memórias da escritora Lois Lowry reescreveu o conceito de utopia, partindo da ideia de que quando não há memórias o mundo pode ser perfeito, sim, mas eis que a liberdade, nesse caso, não passa de pura ilusão.




Jonas, o personagem principal da história, está prestes a completar 12 anos que é quando o  rumo de sua vida será decido. Nesse mundo perfeito sem dor, doença, fome e medo todos têm uma família, um emprego garantido, educação e  estabilidade emocional. Tudo isso é mantido através de treinamentos para manter os sentimentos sob controle, inclusive quais palavras podem usar.
Se apaixonar, casar e ter filhos. Isso não faz parte do fluxo normal da história agora. Lowry bebeu da fonte de "Admirável mundo novo" com certeza! A começar pela definição de família, mas seus bebês não são de proveta são gerados naturalmente e futuramente designados para as famílias durante uma outra cerimônia, a do Um.  - Quando um bebê completa um ano de idade, estando em plenas condições físicas e mentais será entregue para uma família. Tudo decidido pelos Criadores.


Mas dentre as muitas cerimônias nenhuma é mais importante que a dos 12 a tão esperada Atribuição. Cada criança se torna adulto aos 12 anos e recebe uma Atribuição que é a profissão que vai exercer na sociedade para sempre. Jonas não consegue definir o que sente, talvez "apreensivo" se encaixaria melhor, pois não fazia ideia para qual cargo seria designado.
E durante a cerimônia Jonas descobriu que seria o novo Guardião de Memórias, que ele sabia pouco ou quase nada a respeito. 
Agora, até se tornar o guardião ele passaria por um treinamento que requiriria coragem, disciplina e muita força. 



O Doador de memórias começa a passar para Jonas todas as sensações e lembranças do mundo que lhes foram tirados para manter a ordem. Mas ao passar as memórias o doador ia aos poucos esquecendo delas, essa era a missão. Mas  Jonas não sabia ainda que todas as lembranças, sentimentos e visões do velho mundo iria reescrever a história.




A história começa a ficar interessante quando seu pai, que era um Criador, trouxe para casa um bebê muito frágil o qual ele era responsável pelo desenvolvimento e resolveu trazer para sua família a fim de que ele respondesse de forma satisfatória às exigências do Conselho para poder participar da Cerimônia do Um no ano seguinte - e Jonas se apega a Gabe - nome que ele mesmo dá  ao bebê. 
E foi com esse estranho sentimento de compaixão que ele passa a desejar que Gabe cresça em um mundo diferente, já que aos poucos Jonas percebia que a sociedade perfeita e funcional não passava de uma ilusão. Todos os sentimentos mais primordiais como o amor e até mesmo a raiva eram controlados com medicações diárias e até punições. Tudo era milimetricamente ajustado aos padrões rígidos da vida em sociedade.


Mas Jonas não podia aceitar o fato de que todas aquelas pessoas fossem inertes a essas sensações  e com o apoio do velho Doador, ele convence sua amiga Fiona a não tomar as medicações diárias para tentar mostrá-la a verdade. Gradualmente ela verá o mundo de outra maneira, mas sente que ainda falta algo e esse algo eram as memórias que foram apagadas do DNA. Fiona então pôde sentir a paixão pela primeira vez  - um sentimento que não se adequava aos ensinamentos e treinamentos. Agora ela sabia que Jonas estava certo e que devia lutar para trazer a verdade à tona.


Cores, cheiros, música! Tudo isso era tão mágico e estava restrito. Destinado apenas ao Guardião das Memórias. 

Mas foi quando percebe que Gabe será dispensado - expressão bonitinha para a eutanásia - que ele decide agir e salvar Gabe, dando a ele o mundo que ele espera de volta, mesmo com as lembranças ruins de dor, guerra, violência e sofrimento. O mundo precisa ser real e não perfeito. Ele agora deverá escolher entre sua vida e a salvação do povo.


Suspense, ação e muito questionamento. Esse livro sem dúvidas vai te fazer repensar sobre uma sociedade perfeita e que preço poderíamos pagar para evitar o sofrimento.



Leitura rápida e emocionante! Super recomendo
Nota: 5 (de 1 a 5)



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