Resenha #43: Monge Guerreiro - Romulo Felippe

09:30:00
FICHA TÉCNICA

Autor: Romulo Felippe
Título: Monge Guerreiro
Nº de páginas: 403
Editora: Drakkar
Gênero: Fantasia / Fantasia Medieval





SINOPSE


"Maior rei da história da França, Luiz IX (hoje São Luiz) determina que duas das mais importantes relíquias do Cristianismo sejam transportadas dos confins da Terra Santa e da Grécia binzantina até o coração do seu reino. De Jerusalém partem os valentes Cavaleiros Templários liderados pelo grão-mestre Christopher Blancher, um experiente combatente que carrega preso à armadura a coroa mais poderosa do mundo; do Monte Meteóra, e por decisão do destino – quiçá divina –, parte o monge ortodoxo Bastian Neville, um dissidente da Ordem do Templo, cuja missão é levar de encontro aos antigos irmãos de armas a Lança de Longinus. Entre as duas relíquias sagradas, entretanto, há um rei pagão de nome Slatan Mondragone. Sua missão? Reduzir a pó todos os reinos Cristãos. E para isso uma profecia deverá ocorrer na boca do Vesuvius, o vulcão mais furioso da Europa. Com mais de oitenta personagens e combates épicos – eclodindo em um final apoteótico no coração de Veneza – Monge Guerreiro narra não uma, mas diversas odisseias no coração negro do século XIII."


Mas bem sabemos que a paz é como uma pluma, cuja leveza pode ser soprada e carregada para os confins do mundo, deixando facilmente de existir.   - pág 165
     Por volta do ano de 1200 d.C a Igreja Católica sentia-se ameaçada pela difusão do Islamismo  e de religiões Politeístas pelo mundo. Assim, resolveram contratar mercenários e soldados para atacar cidades e converter a população ao Cristianismo em um movimento chamado de "Excursões", mais tarde denominada "Cruzadas" em decorrência da cruz vermelha que os Soldados de Cristo utilizavam em seu peito e manto. 

      A Guerra em nome da Fé, matou milhares de pessoas. E talvez, o evento mais curioso, e ao mesmo tempo, mais cruel desse episódio na História, foi em 1212 na chamada Cruzada das Crianças, onde mais de 50 mil jovens embarcaram rumo à Palestina, ao acreditar que eles estavam possuídos pelo poder Divino e assim conquistariam Jerusalém. Plano que não deu certo já que a grande maioria morreu ou foi vendida como escravos pelos muçulmanos.

   No total, foram 8 as Cruzadas organizadas pela Igreja e quase todas elas foram um fracasso, além de terem custado muito caro para a nobreza. Mas também serviram de impulso para o Renascimento.

      E é nesse cenário desolador e verídico que o autor coloca a sua fantasia e nos conta a história de um homem chamado Bastian Neville,  ex-cavaleiro da Ordem do Templo, que participou da Cruzada das Crianças e por anos derramou o sangue dos "inimigos" de Jesus Cristo pela Terra Santa ao lado da sua Viacrucis, a espada e seu, até então, único amor da vida.



      O seu herói tem capa? O nosso usa uma túnica de monge e uma espada templária e é dele que vamos falar hoje.

CRÍTICA

     Anos após debandar da Ordem do Templo, Bastian tenta reconstruir sua vida em um Mosteiro de São Miguel Arcanjo perto da Grécia. Ali ele tenta encontrar a sua paz e se perdoar pelos pecados terríveis que cometeu na sua vida de Cavaleiro Templário. A cada vida ceifada o corpo recebe uma marca, e a cada sono refreado com um pesadelo é a sua alma que é marcada.



      E entre uma penitência e outra do monge Bastian, o Rei da França Luis IX decide cobrar uma dívida do imperador de Constantinopla e como pagamento ele pede nada mais e nada menos  do que duas das maiores e mais poderosas relíquias do mundo:  a Sagrada Coroa de Espinhos que fora colocada mil anos antes na cabeça de Jesus Cristo e também a Longinus ou Lança do Destino, que foi usada para ceifar a vida dele.

      A história vai sendo contada do ponto de vista dos personagens principais, por isso muitas coisas acontecem juntas mas em locais diferentes. 

     Então, Chistopher Blancher, o grão-mestre da Ordem do Templo vai comandar a missão da Sagrada Coroa junto de outros 100 cavaleiros. E  à Bastian será incumbida a missão de levar a Lança do Destino. O lugar combinado para se encontrarem e assim partirem para a França será a Fortaleza Ilhada, localizada no Reino de Orhan sob domínio do Rei cristão Sophyr Jaroslav.


     Mas infelizmente a Fortaleza, conhecida assim por nunca ter sido conquistada por nenhum inimigo antes, foi invadida pelo terrível e demoníaco Rei Negro, Slatan Mondragone, que deseja acima de tudo matar cada cristão na terra e usar os símbolos daquela religião que um dia destruiu sua vida, ainda criança, como sinal de sua força e poder.

     Agora, o perigo está à espreita e essa será a maior e mais dura jornada que os Templários e o Monge enfrentarão.

A partir da visão cristã, aprendi que nada nesse mundo é por acaso - responde a guerreira, em palavras tão incisivas quanto suas flechas. - Você foi o escolhido para perfazer essa difícil jornada com a Lança do Destino. Essa é uma escolha divina, caro cavaleiro templário.  --- pág 212

   Ao longo desse duro e tempestuoso caminho vamos conhecer personagens marcantes, e essenciais para a história.
Meu personagem favorito, além do Monge, é claro, foi a Princesa Guerreia Mongol, a Setseg, neta do próprio Gengis Khan, um dos maiores guerreiros já conhecidos, ela lutou pelo seu destino e fez as próprias escolhas apesar de ser uma princesa e por um acaso, talvez divino, ela cruzou o caminho de Bastian para acompanhá-lo até Orhan e é aí que começa a ser desenvolvida uma história pura e sincera de amor , daquelas que te fazem torcer para terminar nos modos do "felizes para sempre" mesmo que fiquemos receosos quanto ao destino dos nossos queridos personagens.



- Na Mongólia mesmo as princesas decidem pelo seu destino. Era casar ou duelar para evitar o matrimônio. (...) ele era forte, porém lento com a espada. (...) o combate não durou mais que um minuto, tempo que levei para fincar minha lâmina no saco do maldito. -pág 200

       Nessa Odisseia Medieval, os templários e os monges têm suas habilidades e sua fé postas a prova em cada canto do longo percurso  que farão.

   O livro é bem descritivo quanto aos locais e ações dos personagens, mostrando de forma transparente os sentimentos e também a crueldade que os homens são capazes de fazer pelo poder. O mago dos infernos, o Mil Luas ou o Nuray te faz ficar paralisado de terror e ao mesmo tempo sentir muita raiva dele. 
Os rituais e as torturas que são descritas aqui fazem o estômago embrulhar (pelo menos o meu) e pra piorar, a gente sabe que isso e coisas piores aconteciam nessa época. 




VEREDITO

        Forte. Bem construído. Poderoso. Essa é uma obra brasileira de uma qualidade grandiosa. A narrativa foi extremamente bem feita, pesquisada e avaliada com todo o cuidado. Dá para sentir em cada descrição de local e personagem que o autor mergulhou fundo nesse período da História Medieval, marcado pela assolação causada pela peste negra e pela religião usada como estratégia de conquista e poder.




     Os elementos místicos aqui inseridos (siiiiim, tem dragão, mago, unicórnio, florestas proibidas e muito mais!) se encaixaram perfeitamente na história. Os personagens e seus diálogos só engrandecem a obra. Eu confesso que terminei o livro chorando copiosamente. 

     É um livro que nos inspira. E muito mais do que acompanhar a jornada de um Monge torturado pelos fantasmas de seus pecados, o livro nos faz repensar a nossa própria fé.

       Antes de terminar queria abrir um parênteses para a edição que está MARAVILHOSA! Caprichada, mesmo! Vocês viram várias fotos ao longo da resenha pra confirmar isso.


Se eu recomendo? Com toda certeza e segurança do mundo!

NOTA: 4,8 / 5

2 comentários:

  1. Meu Deus, que livro! E que resenha! Já quero!!! Que lindo ver a literatura nacional nesse nível!!! O livro parece ter uma encadernação maravilhosa, e a história, fala por si só! Vou add na lista agora mesmo!!! Parabéns Mi! Beijos...

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    Respostas
    1. É um livro espetacular!
      Com certeza a literatura nacional está ficando cada vez melhor e digna de prêmios internacionais! No que nos compete, estaremos sempre ajudando a dar vez para obras boas assim.

      Obrigada! Beijo!

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por Milene Farias desde 2016. Tecnologia do Blogger.