Mulheres na Literatura: a nova representatividade feminina #ConversandoComAmi




Se você pegar uma lista com os maiores clássicos de todos os tempos aposto que pode contar nos dedos quantas obras escritas por mulheres, ou que tenham como personagem principal uma mulher, vão estar lá.

Pra não dizer que estou mentindo, confere essa lista com os 100 melhores livros de todos os tempos aqui e verás que somente 5 foram escritos por mulheres!

E não! Eu não estou aqui para nenhum tipo de discurso feminista,  de ódio ou preconceito nem nada, nós apenas vamos analisar os cenários da literatura ao longo da história até chegar nos dias de hoje. E concluirmos o quanto o público alvo foi determinante para que houvesse uma mudança nos padrões das obras feitas.

Vamos contextualizar antes, mas para isso precisamos voltar no tempo, muitos séculos atrás.


Foi no início do século XI, lá na China, no período Heian, onde as mulheres eram consideradas "incapazes de inteligência" por isso não lhes era ensinado a ler e escrever. Mas uma delas, chamada Murasaki Shibiku, se revoltou contra o sistema, e aprendeu, com seu pai a língua, aí ela publicou um livro chamado "Genji Monogatari" e ficou conhecida como a primeira novelista do mundo! - bem, nem para todos - Eu não sei porque, mas tem uma linha de pesquisadores que diz que o primeiro novelista do mundo foi Miguel de Cervantes, que publicou, alguns poucos SÉCULOS depois, "Dom Quixote de La Mancha", mais precisamente no século XVII em 1605. Mas eu não estou aqui para julgar ninguém, nem tenho autoridade para isso. Afinal deu certo, quase ninguém conhece o romance da Murasaki, mas todos, certamente, já ouviram falar no Dom Quixote - obra maravilhosa, inclusive.

Avançando no tempo, mas avançando mesmo, porque depois da Murasaki não encontrei muitos registros de mulheres na literatura,  foi só a partir de 1800 que elas começaram a aparecer no cenário mundial.

Mary Shelley, Jane Austen, Ann Radcliff e Maria Firmina (aposto mil réis que você não conhece essa última aí, mas ela é brasileira, viu!)


No início do século XIX a situação das mulheres na sociedade não estava das melhores não, evoluímos de "não sermos dotadas de inteligência" para sermos ótimas donas de casa e mães, que era "apenas isso" que esperavam das mulheres da época, trabalhar e estudar? Imagiiiiine! Isso era coisa de homem!

Então, uma jovenzinha com 19 anos resolveu criar um romance gótico, que não sei se você já ouviu falar, ele se chama "Frankenstein" que mais tarde só ficou conhecido como o primeiro livro de ficção científica da história. Pois é, Mary, você arrasou! Maaaas, assim que foi publicado ele não levou seu nome. Afinal, quem leria algo escrito por uma mulher? 
 
E esse também foi o problema da nossa querida e magnífica, minha diva Jane Austen. Livro de mulherzinha? Que nada, ela apenas escrevia criticando, em todas as suas obras, a sociedade da época, seus costumes patriarcais e esfregando na cara de todos o quanto isso tornava as pessoas infelizes.

Ela foi uma defensora incansável do amor, e com inteligência e delicadeza escrevia sobre temas polêmicos pra época, mas sofreu pra caramba pra ter seu primeiro livro publicado que foi o "Razão e Sensibilidade", alguns deles, inclusive, só foram publicados depois da morte dela. As mocinhas de Jane representavam uma luta silenciosa contra os padrões e imposições da sociedade.

Ah, sabem quem influenciou a obra da Jane? Uma outra moça, que infelizmente, não se tem muita informação, chamada Ann Radcliff. Se você leu "A Abadia de Northanger" da J. Austen, sabe do que estamos falando. "Os mistérios de Udolfo" foi a obra prima de Ann e pasmem: ela ganhou uma boa quantia em dinheiro com ele, o que chocou a homarada que dominava a literatura na época. Beijinho no ombro e vamos pro Brasil!

Maria Firmina dos Reis deveria ser conhecida como "Maria Firmina: A Primeira de Seu nome, rainha da poesia, mãe da Ursula, a não calada"

Ela foi a primeira romancista brasileira a escrever obras abolicionistas como "Úrsula" e ter seus poemas publicados em 1861, um deles chamado "Parnaso maranhense". E como se não bastasse, ela foi a primeira professora primária concursada no Maranhão (só passou em primeiro lugar) e uma das primeiras pessoas a criar uma escola de ensino gratuito e misto. 
Ela usou a literatura como uma arma contra a escravidão, e é uma pena eu não ter encontrado mais nenhuma obra dela republicada por editoras. Mas vou viver pra ver isso um dia! Maria, você arrasou!

Todas essas mulheres abriram caminho para escritoras como Agatha Christie, Virginia Woolf, Clarice Lispector,  Sylvia Plath, Lygia Fagundes Teles, J.K.Rowling, Hilda Hilst, Isabel Alende, Lya Luft, as irmãs Brontë, Margaret Atwood e uma infinidade de  mulheres que hoje em dia são tão aclamadas e respeitadas na literatura mundial.

As personagens femininas

De mocinhas indefesas esperando o príncipe vir salvar ou o casamento com o homem mais top da balada e mais rico, as personagens atuais esbanjam força, poder e ousadia!

Se você não é muito acostumado a ler fantasias ou ficção científica, devo informar que você precisa estar preparado(a) para encontrar moças muito badass, doidas, guerreiras, princesas que mandam os reis calarem a boca e sentarem no banquinho e meninas que enfrentam a jornada do heroi - agora conhecida como - jornada da heroína!
Sarah J. Maas - Autora da trilogia "Corte de Espinhos e Rosas" e da série "Trono de Vidro"

Sarah J. Maas, Mary E Pearson, Jay Kristoff, Suzane Collins, Cassandra Clare, Erika Johansen e uma infinidade de outros autores já perceberam o que precisam fazer para criar uma boa história. Não basta apenas um bom tema e um bom enredo, a personagem principal é feminina e com uma personalidade forte que vai evoluir na história e vai fazer tremer o chão com tamanha transformação que elas causarão.
Suzanne Collins - autora da trilogia "Jogos Vorazes"
As personagens que vou citar aqui, só para exemplificar, já são conhecidas do público leitor, e mesmo que você não tenha lido já deve ter ouvido falar:

* Feyre da trilogia "Corte de Espinhos e Rosas - Sarah J. Maas
* Aelin Ashryver da série "Trono de Vidro" - Sarah J. Maas
* Lia da trilogia "Crônicas de Amor e Ódio" - Mary E Pearson
* Mia Corvere "Nevernight - Crônicas da Quasinoite" - Jay Kristoff
* Katniss Everdeen - trilogia "Jogos Vorazes" - Susane Collins
* Clary - série "Os Instrumentos Mortais" - Cassandra Clare
 * Hermione Granger - Harry Potter - JK Rowling (maior NERD de todos os tempos)

Todas essas moçoilas têm algo em comum: são jovens, estão na casa delas de boas (ou nem tão "deboas" assim) e de repente recebem um chamado que as levarão à maior aventura de suas vidas, transformando para sempre o ambiente em que vivem e transformando suas próprias vidas. 

Cada uma contribuiu para mostrar aos jovens que o poder está dentro de cada um de nós só esperando para mudar o mundo  - ou mudar a nós mesmos.

Traduções: "Amor é proibido aqui" "O futuro é uma m*rda de pesadelo" "Seu corpo  já não é mais seu" - Colagem da Série homônima ao livro "O Conto da Aia" de Margaret Atwood

Mas nem só de jovens moças guerreiras se vive, e aí você vai para livros como "Kindred" e "O Conto da Aia" que têm suas personagens principais mulheres, mais maduras e que estão enfrentando os piores de seus pesadelos, elas esbanjam inteligência e coragem. De novo aqui há uma sinergia grande entre o público. Obras de distopia e ficção científica não costumavam chamar tanto a atenção dos leitores ou costumavam ter homens como personagens principais como em "A Guerra dos Mundos", "1984", "Fahrenheit 451" etc... Agora quem enfrenta um mundo destruído ou totalmente novo são elas!
Octavia E. Butler maravilhosa - escritora do lacrador "Kindred: Laços de Sangue"



  Editoras

E além desse post debater e analisar esse cenário feminino na literatura ele serve para informar.

A Clara, minha colunista me lembrou de uma editora super linda que vai reativar um Selo. O grupo Editorial Record já anunciou publicamente isso.
É a Rosa dos Tempos, uma editora dedicada a obras de gênero e interesse feminino, que foi fundada em 1990 pela escritora Rose Marie Muraro e a atriz Ruth Escobar. A idéia era criar, no Brasil, um instrumento que desse voz às mulheres, uma editora com ótica feminista. O projeto tornou-se realidade com o apoio da jornalista Laura Civita, da socióloga Neuma Aguiar e do fundador e editor da Record, Alfredo Machado.
Livros como: "O Martelo das Feiticeiras", escrito, originalmente, em 1484 pelos inquisidores Heinrich Kramer e James Sprenger, O Martelo das Feiticeiras é a mais importante obra sobre demonologia da história, a temível fonte de inspiração para todos os tratados posteriores. Levou à tortura e à morte mais de 100 mil mulheres sob o pretexto, entre outros, de “copularem com o demônio”. 

 Conclusão

Desde o início do século XIX os autores começaram a perceber para quem escreviam e com que propósito, e mais do que isso, as mulheres perceberam que tinham um lugar ao sol, mas o caminho seria difícil. E desde então, nós, leitores, somos agraciados com obras maravilhosas e com personagens marcantes que nos tocam de maneiras sensíveis e transformadoras.

 Sabe a mocinha que estava indefesa? Ou ela aprendeu a se defender ou fez dessa fraqueza sua maior virtude! E quem ganha com isso tudo é a literatura! Com livros  cada vez melhores e que debatem temas sociais atuais com personagens que se pareçam com o maior público leitor: as mulheres. E não é porque meninas leem mais, é porque somos a maioria no mundo, então é meio que uma lógica.

E aí, me diz qual é sua personagem favorita! Com certeza me esqueci de citar alguma, então pode falar delas nos comentários.

Espero que vocês tenham gostado desse post e novamente afirmo: esse não é um conteúdo de propagação de ódio nem de qualquer tipo de preconceito, é apenas uma constatação advinda de muitas leituras, debates e observações.
Um beijo!



8 comentários:

  1. Oi Mi!
    Que texto lacrador é esse! Não são apenas as escritoras e protagonistas que estão dominando o mundo, as blogueiras também!!! Hahahahahaha
    Parabéns pelo post, pela pesquisa, e por propagar aquilo que se deve. A representatividade feminina deveria dominar todas as aéreas da sociedade. Afinal, vocês são a maioria da população. Fico extremamente contente em ler esses livros maravilhosos, e conhecer essas personagens marcantes. Lindo post, beijos...

    www.blogleituravirtual.com/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Gustavo! Muito obrigadaaaaa! Realmente é uma grande alegria poder conhecer essas autoras e seus livros maravilhosos.
      Beijão!

      Excluir
  2. Parabéns pelo texto, Mi! Sempre com matérias interessantes! Infelizmente o papel feminino na sociedade ainda sofre muita restrição, devido a todo um fator cultural. Mas aos poucos vamos conquistando um espaço na sociedade. Grande abraço!

    ResponderExcluir
  3. Amei esse post. Acho muito importante discutir o espaço e importância das mulheres em todos os âmbitos e você abordou o tema com louvor.
    Beijão 😘😘

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito obrigada Clara! Principalmente por ter me ajudado e dado sua opinião quando fiquei insegura sobre ele. <3

      Beijooo!

      Excluir
  4. Uaaaauuuu!!!! Que post mais lindoooo! Mi, tu arrasou com tudo e ainda sambou na sapucaí com tanta grandiosidade! Ameeei! É triste ver que por muito tempo tivemos nossos papéis desvalorizados em função de gênero. E que não faz tanto tempo assim. Mas estamos no caminho, estamos mudando. Somos a mudança!
    Parabéns por esse texto incrível!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. haha Obrigada, Day! Fico muito feliz que você tenha gostado dele, fez com muito empenho e carinho.
      Isso mesmo, nós somos a mudança!

      Beijão!

      Excluir

por Milene Farias desde 2016. Tecnologia do Blogger.