Resenha #58: Iracema de José de Alencar

FICHA TÉCNICA


Autor: José de Alencar
Título: Iracema
Ano de publicação: 2010 (primeira publicação)
Editora: Essência
Nº Páginas: 166
Gênero: Romance Brasileiro / Romance Indianista


CRÍTICA

Encarar qualquer livro clássico não é tarefa fácil. E quando falamos de um clássico brasileiro dá pra ouvir o revirar de olhos das pessoas, a grande maioria traumatizada pela obrigatoriedade de ler vários desses livros na escola.
Eu, assim como vocês, também fui obrigada a ler algumas obras clássicas brasileiras, e com certeza detestei a grande maioria, afinal eu não entendia nada do que eu lia, pois não conseguia contextualizar com a minha realidade, e se você não consegue contextualizar alguma coisa, não há como entender, certo?

Mas eis que um anjo apareceu na minha vida chamado Alvaro e me forneceu uma edição sem igual de "Iracema" e ler essa prosa poética e chata tornou-se algo tão legal e divertido que nem acreditei quando li todo ele em uma tarde só!




Nessa edição da Panda Books nós temos comentários e um glossário a cada página que tornam tudo mais fácil, sem falar nos desenhos super bacanas que eles reuniram de vários artistas para decorar o livro que é super colorido e jovial. Gente, vocês não tem noção do quanto esse livro é lindo! E agora dá pra entender melhor a filha do Araquém! hahaha



Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.

RESENHA

Iracema, a virgem dos lábios de mel, a filha de Araquém e protetora dos segredos da Jurema (ela é tipo nossa Daenerys brasileira hahahaha) nasceu na tribo dos Tabajaras e um dia (por desgraça do destino) ela conheceu um homem branco, um português chamado Martim e por ele, ingenuamente, apaixonou-se perdidamente!

Só que esse nosso amigão já era "brother" de outra tribo, os Potiguaras, inimigos dos Tabajaras.
Prepare-se para os melhores, confusos e mais parecidos nomes numa história só! 

Iracema então, levou o jovem perdido para a cabana de Araquém, seu pai e pajé da tribo.
O mais estranho de tudo isso é que chega uma pessoa do nada que nunca ninguém viu e ele é super bem recebido e paparicado pelo índio TOP da balada, o chefe espiritual deles! - eu hein! - e a partir daí aconteceu uma  guerra atrás da outra.

Os Tabajaras liderados pelo guerreiro Irapuã não queriam o homem branco ali, pois ele sentia ciúmes de Iracema. Os "abiguinhos" dele lá perto do mar, os Potiguaras, achavam que ele tinha sido sequestrado pelos inimigos. E assim vão se desenrolar as tretas nas páginas seguintes até ir descendo tudo numa ladeira de Olinda e terminar tragicamente.

A história é triste demais! Chega dar raiva da Iracema por ser tão ingênua, mas essa era a imagem que o povo tinha dos índios na época.




VEREDITO

José de Alencar criou uma poesia que sem querer virou uma prosa, e essa ficção lírica trouxe uma história trágica de amor entre uma indígena e um homem branco/português como pano de fundo, apenas para mostrar a rica cultura indígena, pois percebe-se pelo tanto de descrição e inserção de elementos como animais, comidas, bebidas, plantas e dizeres genuinamente indígenas.

A intenção dele era justamente exaltar a natureza e a forma de vida dos índios, mas fazia isso tornando o índio num ser ingênuo e bobo que era facilmente "domesticado". Enfim, Iracema mostra a cultura da nossa nação ainda num Brasil Imperial e tentando andar com as próprias pernas. A leitura é importante para conhecer mais de nossa cultura e também saber a forma que as pessoas daquela época pensavam.




NOTA:
Pela história em si: 3
Pela edição da Panda Books: 5

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