[RESENHA] #64: Vidas Secas - Graciliano Ramos

FICHA TÉCNICA

Autor: Graciliano Ramos
Título: Vidas Secas
Ano de publicação:1938
Editora: Record
Nº Páginas: 126
Gênero: Romance Brasileiro / Romance Regionalista


SINOPSE

"Em ´Vidas Secas´, o autor se mostra mais humano, sentimental e compreensivo, acompanhando o pobre vaqueiro Fabiano e sua família com simpatia e uma compaixão indisfarçáveis. Além de ser o mais humano e comovente dos livros de ficção de Graciliano Ramos, ´Vida Secas´ é o que contém maior sentimento da terra nordestina, daquela parte que é áspera, dura e cruel, sem deixar de ser amada pelos que a ela estão ligados teluricamente. O que impulsiona os seres desta novela, o que lhes marca a fisionomia e os caracteres, é o fenômeno da seca. ´Vida Secas´ representa ainda uma evolução na obra de Graciliano Ramos quanto ao estilo e à qualidade estritamente literária."

CRÍTICA

Na época em que o livro foi escrito o mundo passava por grandes turbulências!

Os EUA vivia uma enorme crise econômica. A Europa estava começando a se recuperar da Segunda Guerra Mundial. E aqui, iniciava em 1937 o período autoritário e anti-comunista de Getúlio Vargas. 

Escrita na segunda fase do Modernismo, mais conhecido como Regionalismo, Graciliano Ramos retrata a triste e infinita jornada de uma família de retirantes nordestinos que precisam, constantemente, estar se movendo de lugar devido a fome provocada pela seca.

-Você é um bicho, Fabiano.    -- Isto para ele era motivo de orgulho. Sim, senhor, um bicho, capaz de vencer dificuldades.

Os personagens: Fabiano, o pai. Sinhá Vitória a mãe e o mais curioso: os dois filhos, chamados apenas de Filho Mais Velho e Filho Mais Novo. Aí eu me perguntei: porque eles não tem nome?
Talvez uma das respostas mais aceitáveis é a de que eles são tão negligenciados e marginalizados que nem mesmo importa o seu nome. A sociedade não se importa, o governo não se importa então eles nem precisam de nomes. Vidas Secas também representa a exploração de quem é humilde, como se já não bastasse a fome e a miséria a qual estão sujeitos.

Sem dúvidas a passagem mais triste e que destroçou meu coração é o capítulo da Baleia, a chorrinha que os acompanhava na caminhada pelo sertão e que teve um triste fim. E o mais curioso ainda, era a humanização que ela tinha, já que pensava, assim como os humanos, e por diversos trechos temos contato com a "opinião" dela sobre a situação que estão vivendo e suas preocupações.


A narrativa não é feita de uma forma linear, sugerindo que o sofrimento deles é como um ciclo, não importa onde você esteja na história, a fome, o medo e a esperança de encontrar um lugar melhor é o plano de fundo de qualquer acontecimento ali.

VEREDITO

Injustiça social. Fome. Miséria e animalidade humana. A obra de Graciliano Ramos se torna atemporal ao julgar e retratar esses temas que nos deixam de frente para a situação que ocorria lá em 1938 e ainda hoje, 80 anos depois continua acontecendo.
A família de Fabiano representa a história de milhares de outras famílias que passaram e passam pelo mesmo.

A leitura é densa, marcada por expressões regionalistas para que se aproxime fielmente da realidade dos personagens. 
Eu recomendo para qualquer um essa crítica humana e tão sensível feita pelo escritor!

CLASSIFICAÇÃO DA MI



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