RESENHA #65: Adeus, China.


FICHA TÉCNICA


Título: Adeus China
Subtítulo:  O ULTIMO BAILARINO DE MAO
Editora: FUNDAMENTO
Edição: 1
Ano:  2007
Nº de Páginas:  400






SINOPSE

Em um vilarejo extremamente pobre do nordeste da China, um jovem camponês está sentado em sua velha e frágil carteira escolar, mais interessado nos pássaros lá fora do que no 'Livro Vermelho de Mao' e nas pobres palavras nele contidas. Naquele dia, porém, homens estranhos chegam à escola - os delegados culturais de madame Mao. Estão à procura de jovens camponeses que, depois de receberem a formação necessária, possam tornar-se os fiéis guardiões da grande visão de Mao. O garoto observa um dos colegas ser escolhido e levado para fora da sala. A professora hesita. Deve ou não deve? Quase desiste. Mas, no último momento, toca no ombro do oficial e aponta o garoto miúdo. 'Que tal ele?', ela pergunta. Em um único momento, a possibilidade mais remota mudou de modo indescritível o curso da vida de um garoto. Ele faria parte de algumas das maiores companhias de balé do mundo. Um dia seria amigo do presidente e da primeira-dama, de astros do cinema e das pessoas mais influentes dos Estados Unidos. Seria uma estrela - o último bailarino de Mao, o queridinho do Ocidente. Esta é a história de Li Cunxin - uma narrativa que poderia ter desaparecido, como as vidas de outros milhões de camponeses, em meio à revolução e ao caos.
Fonte: https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/biografias/autobiografia/adeus-china-11012528


resenha







Adeus, China é um livro incrível publicado pela Editora Fundamento – nossa parceira neste ano de 2018 e em todos os outros assim esperamos rsrs – É um livro dividido em três partes: “Minha infância, Pequin e O Ocidente”. 

Quando iniciei essa leitura, instantaneamente, lembrei-me de todas as histórias de superação que já ouvi e vivi nesses 24 anos e tentei recordar-me do exato momento em que suas vidas foram transformadas e realidades mudadas. E o mais interessante dessas memórias é que a gente nunca pensa que determinada oportunidade ou situação pode ser o momento em que tudo mudará para melhor, apenas dias, meses e anos depois de tal ocorrido é que olhamos para trás e percebemos o dia em que tomamos a decisão que fez toda a diferença.



Adeus, China é uma obra que fala sobre superação. Li Cuxin foi um menino nascido e educado na China do século XX. Uma criança que nasceu em mundo onde privações, sacrifícios e fome faziam parte da rotina de seu lar.





“Certa vez houve um período de seca inclemente, e ninguém recebeu 1 iuane sequer durante o ano. A vila teve de tomar dinheiro emprestado do governo de Qingdao e repassar às famílias para que pudessem comprar alimentos. Levaram mais de dois anos para pagar o empréstimo. Além disso foram obrigados a comer tudo o que se movesse – e algumas coisas imóveis também. Não haver o que comer era uma situação freqüente.”

Li Cuxin




Li nasceu na China comunista, que naquela época, estava sobre o domínio de Mao* que reprimia o capitalismo de forma extrema. A comida e os remédios eram racionados e a população sofria no meio de tanta repressão. E é em meio a tanta dificuldade que a vida de Li toma um rumo diferente, ele é escolhido para juntar-se a um grupo seleto de estudantes, escolhidos pelos representantes de Mao, para estudar e aprender ballet. E a partir daí a dança o leva para lugares que Li jamais imaginou estar e o apresentou a pessoas que ele provavelmente não conheceria se sua vida não tivesse mudado. 


“Eu tinha quase 11 anos quando, certo dia, na escola, enquanto estávamos ocupados memorizando algumas frases do chefe Mao, o diretor entrou na sala gelada acompanhado de quatro pessoas com um ar distinto, todas usando jaquetas ao estilo Mao e casacos com golas de pele sintética. (...) Enquanto cantávamos, os quatro representantes percorriam as fileiras de carteiras. Eles selecionaram uma menina de olhos grandes, dentes certinhos e rosto bonito. Passaram sem me notar e já iam saindo, quando a professora Song, depois de certa hesitação, tocou no ombro  de um dos senhores de Pequim e perguntou, apontando pra mim: - Que tal aquele ali? O representante de Pequin olhou em minha direção. – Esta certo. Ele pode vir também – respondeu o senhor, sem muito empenho, expressando-se em um perfeito dialeto mandarin.”

Li Cuxin.




Mao Tsé-Tung
 Mao Tsé-Tung foi um político, teórico, líder comunista e revolucionário chinês. Liderou a Revolução Chinesa e foi o arquiteto e fundador da República Popular da China, governando o país desde a sua criação em 1949 até sua morte em 1976.



Só posso imaginar o que Li sentiu ao deixar sua família para trás e ir embora para um lugar novo quando ainda era apenas uma criança de 11 anos. Com certeza ele não cogitava aonde chegaria e que se transformaria em uma referencia mundial do ballet. E que o momento de maior dificuldade para ele e sua família surgiria o momento de maior oportunidade e honra.

Apesar da extrema pobreza Li e sua família eram unidos. Viviam em uma casa estruturalmente pequena, mas cheia de cuidado mútuo, carinho e dedicação que percebemos através de seu texto. Relatos detalhados de seu relacionamento com seus pais, irmãos e vizinhos podem ser apreciados através de uma escrita emocionante e cheia de esmero. 




 Nessa obra também podemos observar a organização da cultura chinesa. Os homens são os alicerces da família e as mulheres cuidam dos afazeres domésticos e dos filhos. A sociedade considerava como sendo abençoados os casais que concebiam filhos homens. Li tem 7 irmãos homens.  As crenças em vários deuses, rituais fúnebres e festas de ano novo faziam parte da comunidade a qual Li nasceu. 


Li Cunxin




Onde comprar?
https://www.saraiva.com.br/adeus-china-o-ultimo-bailarino-de-mao-1976078.html


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Fotografia por Milene Farias 
Livro de cortesia da Editora Fundamento. 

2 comentários:

por Milene Farias desde 2016. Tecnologia do Blogger.