[RESENHA] #68: Fahrenheit 451 de Ray Bradbury

FICHA TÉCNICA
Autor: Ray Bradbury
Título: Fahrenheit 451
Ano de Publicação: 2012
Edição: 2
Editora: Biblioteca Azul - selo da Globo Livros
Nº páginas: 216
Gênero: Distopia / Ficção Científica



SINOPSE:

"Ray Bradbury renovou a literatura quando, em plena Guerra Fria, escreveu Fahrenheit 451, um marco da ficção científica. Se fosse realmente ficção científica. Fahrenheit 451 é, na verdade, uma obra política, uma distopia. “Ficção científica é uma ótima maneira de fingir que você está falando do futuro quando, na realidade, está atacando o passado recente e o presente”, afirmou o escritor. Fahrenheit 451 foi considerado uma grande crítica aos regimes políticos opressores do século XX e previu transformações sociais simbolizadas atualmente pela influência da TV. Publicado originalmente em 1953, é uma obra atemporal, redescoberta a cada nova geração.”


CRÍTICA:

Imaginem uma sociedade completamente alienada pelo uso excessivo da televisão, abuso de medicamentos ansiolíticos (calmantes) e que ficam 24h por dia com fones ouvindo músicas que não dizem nada.

 E como se não bastasse as pessoas viverem absortas pelos efeitos causados pelos hábitos acima... os livros são proibidos! 

 E para reafirmar que os livros não servem para nada, os bombeiros agora não apagam mais incêndios, eles é quem são as autoridades que ateiam fogo nas bibliotecas clandestinas ou qualquer livro que se tenha escondido em casa.

Mas ao contrário de muitas distopias onde se tem um governo autoritário que decreta leis e subjuga a liberdade, aqui é muito pior: a própria sociedade perdeu o hábito da leitura.

Os livros servem para nos lembrar quanto somos estúpidos e tolos.
Os prazeres que o entretenimento de massa causavam, foram transformando as pessoas em seres vazios, ninguém mais presta atenção em ninguém e conversa-se sobre nada, além disso, não há preocupação e nem sofrimento.




Guy Montag é o nosso personagem principal, um bombeiro que segue sua vida, com a sensação de fazer o que é certo até que um dia dois fatos principais mudam a vida dele. Primeiro ele conhece Clarisse.

Clarisse, aos olhos da sociedade, é uma jovem problemática, justamente porque ela adora conversar com as pessoas, ama observar a natureza e fala da vida de uma forma sonhadora e idealista. Ela, aos poucos, desperta em Montag as dúvidas, questionamentos e conflitos internos com uma simples pergunta: "Você é feliz?"

O outro fato acontece numa ocorrência em que é chamado.
Montag e seus colegas descobrem uma enorme biblioteca, mas a sua dona recusa-se a sair de perto dos seus livros, morrendo queimada junto com eles. 
Esse fato mexe profundamente com nosso personagem, gerando nele uma indescritível vontade de saber o que é que havia nos livros, que palavras eram aquelas que mudavam os pensamentos de uma pessoa, que fariam essa pessoa até mesmo morrer ao lado deles.

Mas o que ele estava fazendo era extremamente arriscado e perigoso e Montag agora vai experimentar, finalmente, a liberdade de consciência e todo o preço que ela cobra.




Dividido em três partes, considero esse a mais verossímil e assustadora distopia que já li. Ora, quem trabalha com livros sabe o quão pequeno é o grupo de leitores. 

No Brasil, para se ter uma ideia, 30% da população sequer chegou a comprar um livro na vida e 44% dela não lê! E nem vamos falar na taxa de analfabetismo funcional e os efeitos que a tecnologia estão causando na sociedade, né?


VEREDITO


Fahrenheit 451 é um livro essencial na vida de qualquer pessoa, especialmente na nossa, leitores que fazem do seu amor pelos livros um propósito de vida. 

A escrita, o enredo, os personagens - mesmo a Mildred, maldita e tola - todos são perfeitamente trabalhados numa história pequena que, com suas 213 páginas te fazem ver o quanto livros são importantes na construção social e humana das pessoas e os valores que eles conseguem transmitir.




CLASSIFICAÇÃO DA MI



6 comentários:

  1. Disse tudo, amo muito este Livro. Acho que ele é o mais acessível das distopias clássicas. Super atual e muito sagaz na suas observações.
    Não esqueça de ver o filme do Truffaut, é muito bom.

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    1. Ele tornou-se a minha leitura favorita da vida no gênero.
      Ahh, eu vou assistir sim, esse e já estou esperando pra ver o crush na nova adaptação hahaha
      Obrigada pela observação e dica, Vi! Beijos!

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  2. Qualquer semelhança com a nossa atual sociedade é mera coincidência...? A cada distopia lida, eu percebo que a vontade de tornar nosso mundo melhor, mas da forma errada, usando de totalitarismo, vai nos levar pra uma situação muito pior! E infelizmente quem deve sofrer as consequências mais severas serão nossos descendentes!

    www.blogleituravirtual.com/

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    1. Pensa na minha agitação ao ler essa distopia! Parecia totalmente real, porque é, em diversas partes.

      Concordo totalmente! São os nossos descendentes que pagarão o preço da nossa idiotice. A geração futura já é uma geração perdida.

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  3. Meu Deus, Mi... Tu não sabe a vontade que eu fiquei pra ler este livro. Preciso, necessito. Amei demais a tua resenha <3

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    1. Ai eu quero muito que você leia, Ro! Vai valer a pena furar a fila dos que estão pra serem lidos hehe
      Depois me conta o que achou, e claro, faz resenha, porque amo as tuas!

      Obrigada!

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por Milene Farias desde 2016. Tecnologia do Blogger.