[RESENHA] #84: Memórias do Subsolo de Fiódor Dostoiévski

FICHA TÉCNICA 
Título: Memórias do Subsolo 
Editora 34
Edição:  6a
Ano: 2009 / Reimpressão 2017
No de páginas:  147



SINOPSE
"Escrito na cabeceira de morte de sua primeira mulher, numa situação de aguda necessidade financeira, Memórias do Subsolo condensa um dos momentos mais importantes da literatura ocidental, reunindo vários temas que reaparecerão mais tarde nos últimos grandes romances do escritor russo.
Aqui ressoa a voz do "homem do subsolo", o personagem-narrador que, à força de paradoxos, investe ferozmente contra tudo e contra todos -- contra a ciência e contra a superstição, contra o progresso e contra o atraso, contra a razão e a desrazão --; mas investe, acima de tudo, contra o solo da própria consciência, criando uma narrativa ímpar, de altíssima voltagem poética,  que se afirma e se nega a si mesma sucessivamente."


CRÍTICA 

" Existem nas recordações de todo homem coisas que ele só revela aos seus amigos. Há outras que não revela mesmo aos amigos, mas apenas a si próprio, e assim mesmo em segredo. Mas também há, finalmente, coisas que o homem tem medo de desvendar até a si próprio, e, em cada homem honesto, acumula-se um número bastante considerável de coisas no gênero. "


Este é um livro sobre o pântano escuro que é nosso subconsciente. Um livro sobre os pensamentos torpes que atravessam nossa consciência todos os dias, e que temos medo e vergonha de revelá-los até a nós mesmos. 

O fato de Dostoiévski tê-lo escrito no leito de morte de sua mulher contribuiu para imprimir o tom existencialista da obra e nos fazer mergulhar nos recônditos mais obscuros da alma humana.
O livro divide-se em duas partes. Na primeira,  o personagem-narrador expõe seus pensamentos mais íntimos, de maneira confusa e contraditória, atirando-se contra tudo e contra todos, mas principalmente contra sua própria consciência. 

"... pois, em todo caso, conserva-nos o principal, o que nos é mais caro, isto é, a nossa personalidade e a nossa individualidade. "

Na segunda parte, menos introspectiva e mais narrativa, ele nos apresenta algumas memórias e passagens de sua vida em que suas convicções são postas à prova e conseguimos, enfim, formar uma imagem mais real desse anti-herói.

Filosofia, religião, literatura se misturam num enredo com uma carga emocional tão grande que conseguimos sentir, durante toda a leitura, a necessidade de desabafo do narrador,  o que por vezes se torna angustiante. É como estar lendo, às escondidas, o diário de alguém.

Terminei a leitura, mas ela continua reverberando em mim. Se cabe uma releitura? Talvez eu a comece hoje mesmo.


Um comentário:

por Milene Farias desde 2016. Tecnologia do Blogger.